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Aplicação
da programação matemática no melhoramento genético
Mauricio
Borges, Graciele S. N. Borges, Helvécio G. Ribeiro
A utilização
crescente das informações geradas pelos programas de melhoramento
genético, como valor genético estimado por modelo animal (BLUP),
assim como a utilização da inseminação artificial e transferência
de embriões, têm aumentado a necessidade de ferramentas cada vez
mais eficazes para o gerenciamento da seleção e acasalamento dos
rebanhos. A utilização da DEP (Diferença Esperada na Progênie) nas
decisões de seleção vem sendo cada vez mais difundida, uma vez que
é a melhor ferramenta para realizar progressos genéticos nos rebanhos,
por outro lado a aplicação dessa informação sem restrições, pode
causar o aumento da consangüinidade do rebanho.
O maior
desafio do melhoramento genético é realizar progresso genético à
longo prazo, ou seja, garantir ganhos genéticos com o menor incremento
possível na taxa de consangüinidade. A utilização da DEP e tecnologias
de reprodução que aumentam a taxa reprodutiva de machos e fêmeas,
como a inseminação artificial e a transferência de embriões, respectivamente,
proporcionam altas taxas de ganho genético a curto prazo. Por outro
lado, o aumento da consangüinidade que é ocasionado, diminui o ganho
genético à longo prazo. A seleção dos rebanhos exclusivamente pela
utilização da DEP, sem o auxílio de ferramentas que garantam a manutenção
de ganhos genéticos com minimização da consangüinidade à longo prazo,
causa diminuição da variabilidade genética e conseqüentemente redução
do progresso genético.
A figura
1 ilustra exatamente o resultado de duas estratégias distintas
de seleção e acasalamento. Uma prioriza o ganho genético na geração
corrente, sem considerar a consangüinidade à longo prazo ( estratégia
A) e a outra procura balancear o ganho genético com a consanguinidade
à longo prazo (estratégia B). A estratégia A é a que proporciona
uma maior resposta à seleção à curto prazo, mas em contrapartida
uma redução na variabilidade genética por conta da maior consangüinidade,
reduz a resposta à seleção ao longo das gerações. A estratégia B,
onde se aplica ganhos moderados à curto prazo resulta em maior resposta
à longo prazo, pela garantia de uma maior variabilidade genética.

Figura
1. Resposta à seleção com duas estratégias de seleção e acasalamento
Para
um melhor gerenciamento desses recursos é necessário adotar metodologias
que permitam um controle dessas informações de forma que se garanta
a sustentação do programa de melhoramento genético da raça, uma
vez que a consangüinidade diminui a eficiência reprodutiva, sobrevivência
e adaptabilidade dos rebanhos. Uma metodologia que pode ser aplicada
para atingir tais objetivos é a programação linear.
A programação
linear é um dos recursos matemáticos usados para maximizar ou minimizar
funções lineares sujeita a algumas restrições pré-determinadas.
Tem sido vastamente usada por nutricionistas para cálculo de rações
de custo mínimo, no entanto, tem recebido pouca atenção pelos geneticistas.
Assim, o Progenie® é um sistema para gerenciamento do acasalamento
de bovinos, usando a programação linear para maximizar objetivos
de seleção e restringir variáveis como consangüinidade. Este sistema
destina-se especialmente àqueles produtores que participam de algum
programa de melhoramento genético e querem obter ganhos genéticos
nos seus rebanhos aplicando as informações geradas pelas avaliações
genéticas e para aqueles que querem garantir a sustentabilidade
do seu rebanho pelo gerenciamento da consangüinidade.
O Progenie®
seleciona os melhores reprodutores e matrizes e os acasalam, segundo
alguns parâmetros previamente estabelecidos. Os principais parâmetros
são consangüinidade máxima esperada na geração futura, máxima consangüinidade
permitida à longo prazo, quantidade de sêmen disponível por touro,
taxa de serviço, máximo de touros por retiro ou fazenda, restrições
sobre ganho genético em determinadas características, dentre outras.
Deve-se considerar um peso econômico para as características que
compõem os objetivos de seleção, uma vez que o programa calcula
um índice econômico que será maximizado. Também pratica a seleção
restrita na qual é possível obter ganhos genéticos desejados em
características correlacionadas restringindo ganhos em características
indesejadas.
O Progenie®
necessita das informações de DEP para cada característica que irá
compor o índice de seleção, como também da genealogia e composição
racial dos animais a serem acasalados. Além disso, deve-se informar
a localização das vacas para que não se ultrapasse o limite de touros
permitidos por botijão de sêmen. Isto permite facilitar o trabalho
do inseminador, uma vez que é possível diminuir o número de touros
por caneco, sem afetar a solução final do acasalamento. A grande
vantagem é que a solução pode ser obtida simultaneamente para todos
os retiros de todas as fazendas.
No
caso de animais compostos, pode-se definir a porcentagem de cada
grupo racial desejada nos produtos gerados pelos acasalamentos.
Por exemplo: se não é desejado produzir animais com porcentagem
menor que 25% de Nelore, pode-se colocar esse filtro para que a
seleção dos acasalamentos atenda essa restrição. Pode-se inclusive
atribuir uma restrição para adaptabilidade, onde a soma de Nelore
e Adaptados seja maior que 50%, por exemplo. Considera além da genética
aditiva (DEP), a genética não-aditiva (heterose). Isto é importante
para que os programas de formação de compostos garantam a maximização
da heterozigose e a retenção de heterose. Ao longo das gerações
a combinação de três fatores: minimização da consangüinidade, maximização
da heterose e da genética aditiva (DEP), garantirá o sucesso do
sistema de cruzamento.
Através
da análise de sensibilidade é possível estabelecer a intensidade
de uso de cada touro e quanto ele interfere nos índices dos produtos.
Na seleção restrita, a análise de sensibilidade mostra até que ponto
se pode restringir a mudança em uma característica sem alterar o
progresso genético nas demais. No caso de restrição do número de
touros por retiro/fazenda é possível determinar o mínimo de touros,
sem que haja diminuição do progresso genético, ou quanto a diminuição
do número de touros afeta a solução final.
Em
rebanhos que usam intensivamente a inseminação artificial, é necessária
uma cuidadosa análise do mínimo de touros a se usar. Esse número
vai depender do total de matrizes e do nível de consangüinidade,
que determinam o número efetivo de machos e fêmeas do rebanho.
O acasalamento
de todo o rebanho é feito exclusivamente pelo computador, atendendo
às restrições estabelecida pelo geneticista, através de um algoritmo
que maximiza o índice dos produtos. Determina o grupo ótimo de acasalamentos,
método que acaba com a distinção entre seleção e acasalamento, já
que as duas decisões são tomadas simultaneamente. Isto diminui os
erros resultantes do acasalamento feito pela escolha individual
de touros para determinado grupo de vacas, feito manualmente ou
com auxílio da informática. Este processo normalmente não consegue
atender a todas as restrições desejadas, aceitando alguns acasalamentos
não ideais.
Por
todas essas particularidades, o Progenie® pode ser utilizado
em grandes rebanhos para seleção de touros e vacas, simulando os
ganhos genéticos para as próximas gerações. Pode ser utilizado por
associações de raças para simular níveis de consangüinidade das
próximas gerações e predizer ganhos genéticos para cada característica.
Também se aplica ao esquema de reprodutores múltiplos - a utilização
de grupos de touros para monta natural, formando os melhores grupamentos
de touros e vacas. Pode ser usado como auxílio na compra de reprodutores
para serem usados na monta natural, onde se objetiva aqueles touros
que tenham o menor parentesco com o rebanho que esses touros irão
servir.
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